Por acaso não são nossas feridas que nos guiam?



Esses dias atrás, a publicação da imagem que ilustra este artigo em vários grupos sociais me trouxe à memória uma reflexão de Nietzsche, que nos brindou com a bela imagem de uma árvore que se levanta, cada vez mais alta e vigorosa até o céu à medida em que as suas raízes penetram mais fundo na escura, porém fértil, terra.


Será que o que vive na escuridão de nosso interior não constitui o fertilizante de nossa criatividade ?

O invisível impulsionador de nossos caminhos, a motivação de nossos valores e conquistas, não estaria na escuridão, onde penetram e se nutrem nossas raízes ?

Por acaso não são nossas feridas que nos guiam?

Talvez não se trate de expulsar os nossos demônios, mas de convocá-los a serviço da vida. Chegar, talvez, a cavalgar com eles como se fossem cavalos adestrados.


O primeiro passo para mudar o que se pode mudar consiste em apreciar o que é, em reconhecer o que vivemos tal como vivemos. Frequentemente digo: a primeira regra da ajuda consiste em amar o que queremos mudar, o que nos faz sofrer, o que nos engana.


Depois, pertinente ou necessário, encontraremos a maneira de retirar sua força, removermos, reorientarmos ou diluirmos isso. Mas, o primeiro passo é nos rendermos diante da difícil realidade para poder transformá-la, em direção à realidade que desejamos ou que almejamos; dela que necessitamos aprender tudo o que for possível para que nos fortaleça mais do que nos debilite; assim, buscar em nossa profunda escuridão , nosso próprio alimento e força para a vida.


Eurico Aparecido Rodrigues

Constelador

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